Durante o carnaval deste ano (9 a 13 de fevereiro de 2013) estive em Ubatuba, município do litoral norte de São Paulo. Mas infelizmente, não fui à praia. Acampei no Parque Serra do Mar, a maior reserva contínua de mata atlântica do país, mais precisamente no Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica – IPEMA, onde participei do curso sobre Bioconstruções e Paisagismo produtivo.

Pessoalmente, tinha o objetivo de aprender como poderíamos aproximar o modelo de desenvolvimento urbano vigente de algo mais sustentável. Mas o horizonte se ampliou muito depois do primeiro dia. Embora os objetivos do curso fossem mais pontuais, como massas para construir com terra e sistemas de tratamento de esgoto, estenderíamos a semântica do banheiro seco para além da questão do desenvolvimento das urbes, também para a irracionalidade por trás dos inputs e outputs da cidade.

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Em um processo produtivo, existem os inputs ou entradas de insumos e os outputs, ou saídas, produtos gerados durante o processo produtivo. A cidade recebe ar limpo, água cristalina, lindos campos a serem loteados por empreiteiras e devolve, quando muito, um esgoto tratado e alguns milhares de toneladas de poluição. Transforma também a paisagem natural, vegetação nativa, animais etc.

Acontece que consideramos normalmente como culpado não o processo produtivo em si, mas a ausência de investimento público nas interfaces da cidade com o meio-ambiente. Em outras palavras, não consideramos como problema o esgoto em si, mas sim a ausência de tratamento.

É como produzir um carro com defeito e a culpada ser a concessionária.

É preciso rever os padrões produtivos intraorganizacionais, não apenas nas empresas, mas nas residências. Existem técnicas, como o o círculo de bananeiras que podem tratar alguns tipos de esgoto residenciais de forma produtiva, em um espaço bastante reduzido. A luz exterior pode ser “remanejada” para o interior, diminuindo a necessidade de luz artificial. Telhado verde ao invés de ar-condicionado e etc.

Os planos diretores dos municípios precisam ser revistos a luz também dos bens coletivos mediatos impactados pelo crescimento da cidade, como paisagem, solo e contaminação, poluição visual.. Estes fatores também são considerados, mas hoje privilegiamos no planejamento urbano aspectos funcionais, históricos e ambientais mais evidentes.

A política tributária é mais equivocada ainda, um passo atrás seguido de outro. Isenção de IPI para automóveis mantém uma economia de curto alcance, embora coloque feijão no prato de muita gente. É necessário modificar alíquotas sobre equipamentos que produzem energia limpa, fazer crescer a indústria dos painéis solares deveria ser missão nacional. Estimular empresas que não geram deficit ambiental, inserir na contabilidade pública e privada os custos ambientais advindos da produção, de forma que estes impactem no resultado (lucro ou prejuízo) da entidade.

É distante, mas o horizonte normalmente é distante quando olhamos para diante, para cima. 

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